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Tradição mantida em oficina de concertina do Festival de Inverno de Domingos Martins

Gustavo Ponath e Nicole Schwambach: preservação da cultura Gustavo Ponath e Nicole Schwambach: preservação da cultura

As tradições locais se fazem presente mais uma vez na programação do XXV Festival Internacional de Música Erudita e Popular de Domingos Martins. Dentre as 21 oficinas musicais oferecidas este ano, a de concertina volta a reunir os apreciadores do instrumento típico da cultura germânica. O mestre Angelino Zaager compartilha seus conhecimentos no distrito de Melgaço

Numa sala do Centro Comunitário da Associação de Moradores, 12 alunos de origem pomerana com idades entre nove e 62 anos aprendem os primeiros acordes da concertina. A maioria vê na oficina do Festival a oportunidade de perpetuar a cultura familiar, uma vez que saber tocar o instrumento significa manter costumes como danças e casamentos pomeranos.

A estudante Glenda Schroeder (15) já toca concertina há quatro anos e considera que a oficina do Festival de Inverno deve ser definitiva na programação anual. “Com essa valorização do evento, a tradição fica mais valorizada. A oficina é a garantia da cultura não terminar. Todos aqui estamos bem interessados em aprender”, diz.

Glenda Schroeder

Outro estudante, Gustavo Ponath (15) conta ter feito seis aulas particulares do instrumento e se inscreveu para se aprimorar. O último familiar que sabia tocar, o avô, morreu há três anos. “Nas minhas duas famílias, materna e paterna, tocar concertina é tradição. Quero aprender para dar continuidade. Vai depender de mim passar o costume para as gerações seguintes”.

Nicole Schwambach e Gustavo Ponath2

E na família Goerl a manutenção da cultura está reforçada. O agricultor Erwin Goerl (62) e o filho, Edigar (28) participam juntos da oficina com Angelino Zaager. “Está muito bom poder aprender mais um pouco”, diz Erwin.

Edigar Goerl e o pai Erwin2

O caçula do grupo, Thiago Kempin, de nove anos, começou a tocar concertina no ano passado por incentivo do avô, Alfredo (70). “Minha avó tocava, daí aprendi um pouco em casa. Gosto muito do som do instrumento, traz muita alegria”.

Alfredo Kempin e o neto Thiago

Para o professor, a abertura do Festival de Inverno para o ensinamento da concertina é de extrema importância para a comunidade. “Isso é maravilhoso. A cultura estava praticamente caída. É preciso ter mais pessoas tocando o instrumento para fortalecer as tradições”, avalia.

Segundo Zaager, as técnicas da concertina independem da idade do aprendiz. “Só depende de querer, ter esperança de que vai aprender e amor e carinho pelo instrumento. Recentemente, um pastor luterano de 72 anos me procurou para começar a tocar”.

Oficina de concertina2

A secretária Municipal de Cultura e Turismo de Domingos Martins, Rejane Entringer, afirma que o Festival de Inverno sempre prezou pela pluralidade musical. “A cada edição do Festival temos uma variação de oficinas musicais, contemplando os mais diversos estilos e instrumentos. Priorizamos este ano alguns instrumentos que não estiveram presentes em 2017. O acordeon deu lugar à concertina, atendendo a uma demanda da comunidade local, haja vista o grande número de tocadores no nosso município”.

Mais sobre o mestre

Angelino Zaager é o único profissional que se tem notícia no Estado dedicado também à tarefa de restaurar e afinar as concertinas. O serviço é de extrema importância para manter a tradição, uma vez que os únicos exemplares são os mesmos trazidos pelos imigrantes pomeranos, há cerca de 150 anos.

O trabalho artesanal é apenas uma das ocupações do “Mestre das Concertinas”. O dia dele começa com a condução de estudantes do distrito de Melgaço até a Escola Estadual Teófilo Paulino, na sede do município, a 30 km.

Zaager conta que o primeiro contato com o instrumento foi aos oito anos, na localidade de Rio das Pedras, atualmente município de Santa Maria de Jetibá, onde nasceu e aprendeu as primeiras notas. “Meu avô tinha uma concertina e, de vez em quando me deixava colocá-la no colo. Porém, ele não sabia tocar, e acabei aprendendo com um vizinho”, lembra.

Apesar da vocação precoce, Angelino tocava concertina quase de forma “clandestina”. Isso porque o professor de catecismo da Igreja Luterana aconselhou Zaager e seu pai a aguardarem o menino esperar a confirmação do voto religioso, aos 13 anos, antes de iniciar as apresentações públicas. A idade é considerada ideal para os adolescentes luteranos fazerem suas escolhas, entre elas tocar o instrumento. Para os pastores da época, a prática de tocar concertina era abominável porque era muita ligada aos bailes onde havia bebida alcoólica.

Na vida adulta, a marcenaria virou profissão. Há 18 anos, os vizinhos passaram a procurar Angelino para reparar instrumentos danificados. As concertinas são consideradas verdadeiras relíquias de família por valerem o preço de um carro. Algumas chegam a custar R$ 25 mil, dependendo do acabamento, em geral com marchetaria. O conserto leva, em média, dois meses, e o preço do serviço pode chegar a R$ 1.500,00. Os clientes são moradores de norte a sul do Estado e até de Rondônia. Só este ano, a oficina recebeu 22 instrumentos.

Zaager ainda encontra tempo à noite para ensinar pessoas de todas as idades a tocarem o instrumento. Com exceção de quinta-feira e fins de semana, ele ministra aulas no salão comunitário de Melgaço, reunindo mais de 80 alunos que, assim como ele, são apaixonados pela valsa e outros ritmos extraídos da puxada do fole da concertina.

O Festival

O XXV Festival de Inverno segue até o próximo domingo (22). Este ano, são mais de 100 atrações musicais na programação. Reconhecido como o principal evento do gênero no Espírito Santo e um dos mais importantes no País, o festival vai reunir apresentações clássicas e populares, com destaque também para o cenário musical do Espírito Santo. São esperadas 70 mil pessoas em 14 dias de programação.

Programação

20/07 (Sexta-Feira)       
18h à 00h:
Audição dos alunos - Rua de Lazer
18h: Audição dos alunos - Oficina Prática de Orquestra - Palco Principal
19h: Audição dos alunos - Oficina Prática de Conjunto – Coreto
20h: Concerto de Cordas - Professores do Festival - Palco Principal
21h: Unnamed Band - Vencedora do Concurso Palco Livre – Coreto
22h: Zé Maholics - Praça de Alimentação
00h: Luau do Casanova - Palco Principal

21/07 (Sábado)
9h às 12h:
Audição dos Alunos - Rua de Lazer
12h: Pop & Jazz Orquestra – IFES - Palco Principal
13h às 23h: Palco Livre - Rua de Lazer
14h: Tony Ribeiro - Praça de Alimentação
16h: Brasileiríssimo – FAMES - Palco Principal
18h: Hang Blues - Vencedora do Concurso Palco Livre - Praça de Alimentação
20h: Orquestra Sinfônica SUL Espírito Santo - Palco Principal
22h: Saulo Simonassi - Praça de Alimentação
00h: Projeto Feijoada com Ivo Meirelles - Palco Principal

22/07 (Domingo)
10h:
Paulo Dantas Trio – Rua de Lazer
11h30:
Grupo de Dança Alemã Rheinland – Coreto
12h às 18h: Palco livre - Rua de Lazer
12h: Orquestra Capixaba de Sopros – Cariacica - Palco Principal
14h: Marajás do Sudeste - Vencedora do Concurso Palco Livre - Praça de Alimentação
15h: Grupo de Dança Alemã Blumen der Erde Volkstanzgruppe – Coreto
16h: Eden Acordeon e Trio “Cantos Brasileiros” - Praça de Alimentação
18h: Zero28 Band – Coreto
20h: Banda da Polícia Militar do ES - Palco Principal

*Programação sujeita a alterações sem aviso prévio

 



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  • Última modificação em Segunda, 23 Julho 2018 10:31
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